Durante anos, marcas disputaram a primeira página do Google. Agora, com ChatGPT, Gemini, Perplexity e outras plataformas de inteligência artificial mudando a forma como pesquisamos, surge uma nova disputa: ser uma das marcas que a IA escolhe mencionar.
Durante muito tempo, uma das perguntas mais importantes do marketing digital foi simples:
“Em que posição estamos no Google?”
Primeiro lugar era ótimo.
Primeira página era importante.
Segunda página praticamente significava desaparecer.
Isso ajudou a construir uma indústria inteira em torno de SEO, palavras-chave, backlinks, autoridade de domínio e produção de conteúdo.
Só que a lógica da busca está mudando.
Quando alguém pergunta a uma inteligência artificial quais são as melhores opções para resolver determinado problema, não recebe necessariamente dez links azuis organizados em uma página.
Recebe uma resposta.
E, dentro dela, algumas marcas aparecem.
Outras não.
Bem-vindos à disputa pela visibilidade na era da AI Search.
Durante anos, disputamos posições. Agora disputamos respostas.
No mecanismo de busca tradicional, existe uma lógica relativamente conhecida.
O usuário pesquisa.
O Google apresenta resultados.
O usuário compara títulos, descrições, fontes e links.
Depois, decide onde clicar.
Nas ferramentas de inteligência artificial generativa, essa jornada pode ser muito mais curta.
O usuário pergunta:
“Qual é o melhor software para minha empresa?”
“Quais marcas oferecem esse serviço?”
“Qual produto faz mais sentido para minha necessidade?”
“Quais empresas são referência nesse mercado?”
E recebe uma resposta sintetizada.
Isso muda profundamente a lógica de descoberta.
Porque sua marca pode não estar mais disputando apenas o clique.
Pode estar disputando o direito de fazer parte da resposta.

SEO não morreu. Mas ganhou um novo vizinho.
Com essa transformação, uma nova sigla começou a ocupar espaço nas estratégias digitais: GEO, ou Generative Engine Optimization.
Enquanto o SEO busca melhorar a presença de páginas nos mecanismos de busca tradicionais, o GEO procura aumentar as chances de uma marca, empresa, produto ou conteúdo ser encontrado, compreendido e citado por sistemas de inteligência artificial.
Isso não significa abandonar SEO.
Muito pelo contrário.
Sites bem estruturados, conteúdo relevante, autoridade, presença editorial e clareza de informação continuam importantes.
Porém, surge uma nova camada.
Não basta perguntar:
“Meu site aparece no Google?”
Também precisamos começar a perguntar:
“Minha marca aparece quando alguém pergunta sobre meu mercado para uma IA?”
Essa pequena mudança de pergunta pode representar uma grande mudança estratégica.
E o consumidor brasileiro já está fazendo essas perguntas
Isso não é apenas uma previsão sobre como pesquisaremos no futuro.
O comportamento já começou a mudar.
Uma pesquisa da Fbiz em parceria com a On The Go, divulgada pela Exame, apontou que 46% dos brasileiros que utilizam inteligência artificial já recorreram à tecnologia para pesquisar produtos ou serviços antes de uma compra.
Ou seja, a IA já começa a ocupar um espaço que durante anos pertenceu principalmente ao Google, aos marketplaces, às redes sociais e aos sites de avaliação.
O consumidor não está usando inteligência artificial apenas para escrever textos ou resumir documentos.
Ele também está perguntando:
o que comprar?
E isso deveria interessar bastante às marcas.
Porque, quando a pergunta muda de “onde encontro?” para “o que você recomenda?”, a lógica da descoberta também muda.
O novo ranking talvez nem pareça um ranking
A Digiday chamou atenção recentemente para outro movimento: empresas estão tentando descobrir como medir a presença das marcas nas respostas produzidas por inteligência artificial.
É um desafio considerável.
No SEO tradicional, temos métricas relativamente consolidadas.
Posição.
Impressões.
Cliques.
CTR.
Tráfego orgânico.
Conversões.
Já na AI Search, a mensuração ainda está sendo construída.
Uma marca pode aparecer na resposta.
Pode ser mencionada primeiro.
Pode aparecer acompanhada de uma percepção positiva ou negativa.
Pode ser citada como referência.
Pode surgir apenas em determinadas perguntas.
Ou simplesmente desaparecer quando o prompt muda algumas palavras.
Por isso, o IAB propôs um framework para analisar a visibilidade das marcas em ambientes de IA a partir de quatro dimensões:
Presence. Prominence. Portrayal. Persuasion.
Em outras palavras:
Sua marca aparece?
Com qual destaque?
Como ela é descrita?
E qual influência essa presença pode exercer sobre a decisão?
São perguntas que provavelmente entrarão cada vez mais nas reuniões de marketing.
Leia também: Como o naming cria marcas prontas para crescer.
O que a IA sabe sobre sua marca?
Aqui começa a parte mais interessante.
Modelos de inteligência artificial não constroem percepção de marca apenas a partir do site oficial de uma empresa.
Eles operam em um ecossistema muito maior de informações.
Reportagens.
Reviews.
Comparativos.
Fóruns.
Redes sociais.
Sites especializados.
Documentação.
Conteúdo institucional.
Menções de terceiros.
Discussões públicas.
Dados estruturados.
Em outras palavras, a presença de uma marca nas respostas de IA pode depender também daquilo que outras pessoas e fontes dizem sobre ela.
Isso aproxima áreas que durante muito tempo foram tratadas separadamente.
SEO.
PR.
Branding.
Conteúdo.
Reputação.
Assessoria de imprensa.
Social.
Tudo começa a participar de uma mesma construção de autoridade digital.
E talvez esteja aí uma das maiores mudanças provocadas pela AI Search.
Não basta existir. A marca precisa ser compreensível.
Existe outro desafio importante.
Muitas empresas possuem sites cheios de frases como:
“Transformamos o futuro.”
“Criamos experiências extraordinárias.”
“Conectamos pessoas e possibilidades.”
Bonito.
Mas o que exatamente a empresa faz?
Para um consumidor, contexto pode resolver essa ambiguidade.
Para sistemas tentando identificar entidades, produtos, categorias e relações, clareza ganha ainda mais importância.
Por isso, marcas precisarão pensar não apenas em como parecer interessantes, mas também em como ser compreendidas digitalmente.
Quem é a empresa?
O que ela oferece?
Em qual categoria atua?
Para quem?
Onde?
Por que é relevante?
Em quais assuntos possui autoridade?
Quanto mais consistente for essa presença, maior tende a ser a capacidade dos sistemas de relacionar aquela marca aos temas certos.
Na era da IA, posicionamento deixa de ser apenas aquilo que queremos colocar na cabeça das pessoas.
Passa também por aquilo que as máquinas conseguem entender sobre nós.
Branding começa a encontrar o GEO
É justamente aqui que a discussão deixa de ser apenas técnica.
Imagine duas empresas concorrentes.
As duas possuem bons sites.
As duas trabalham SEO.
As duas produzem conteúdo.
Porém, uma delas construiu durante anos uma presença consistente em torno de determinado assunto.
É citada por veículos.
Possui especialistas reconhecidos.
Publica pesquisas.
Aparece em discussões relevantes.
Tem conteúdo original.
Recebe menções espontâneas.
Possui uma associação clara com determinada categoria.
Qual delas oferece mais sinais para que uma inteligência artificial compreenda sua relevância?
Essa pergunta mostra por que GEO não deveria ser responsabilidade apenas do time de SEO.
Existe branding nessa equação.
Existe reputação.
Existe autoridade.
Existe conteúdo.
Existe PR.
E, acima de tudo, existe consistência.
A batalha não será por qualquer menção
Existe ainda uma diferença fundamental entre aparecer e aparecer corretamente.
Uma IA pode mencionar sua empresa e descrevê-la de maneira incompleta.
Pode associá-la a uma categoria antiga.
Pode destacar um concorrente primeiro.
Pode utilizar informações desatualizadas.
Ou pode simplesmente não entender aquilo que diferencia sua marca.
Por isso, medir apenas menções provavelmente será insuficiente.
A pergunta não será somente:
“A IA falou da minha marca?”
Mas:
“O que ela falou?”
Essa diferença é enorme.
Porque visibilidade sem posicionamento pode gerar presença, mas não necessariamente preferência.

Produzir mais conteúdo não será suficiente
Diante dessa nova corrida, existe um risco previsível.
Marcas podem começar a produzir milhares de páginas tentando responder a todas as perguntas imagináveis para alimentar mecanismos generativos.
Provavelmente veremos muito disso.
Mas quantidade não é sinônimo de autoridade.
Se todos podem utilizar IA para produzir cem artigos por semana, publicar cem artigos deixa de ser vantagem competitiva.
O diferencial tende a migrar para aquilo que é mais difícil de copiar:
dados próprios.
Pesquisas originais.
Especialistas.
Experiência real.
Casos concretos.
Opiniões relevantes.
Repertório.
Propriedade intelectual.
Uma perspectiva reconhecível.
Em resumo, a inteligência artificial pode tornar o conteúdo barato.
Mas pode tornar autoridade ainda mais valiosa.
Da primeira posição para a primeira resposta
O Google não vai desaparecer amanhã.
SEO também não.
Redes sociais continuarão relevantes.
Creators continuarão influenciando decisões.
Marketplaces continuarão sendo importantes.
Mas uma nova camada está sendo adicionada à jornada de descoberta.
E marcas precisam começar a observá-la agora.
Durante anos, empresas investiram para aparecer quando alguém pesquisava uma palavra-chave.
Agora, precisam pensar também no que acontece quando alguém faz uma pergunta.
Porque talvez estejamos saindo lentamente de uma internet organizada em torno de:
“Aqui estão dez lugares onde você pode encontrar a resposta.”
Para uma internet que simplesmente diz:
“Aqui está a resposta.”
Nesse cenário, existe uma pergunta que toda marca deveria começar a fazer:
quando a inteligência artificial responde sobre o seu mercado, sua marca está dentro ou fora da conversa?
Ser encontrado está mudando. Sua estratégia também precisa mudar.
Na BDDB, acreditamos que branding, conteúdo, SEO, reputação e inteligência artificial não podem mais ser tratados como disciplinas completamente separadas.
A forma como uma marca se posiciona influencia o conteúdo que produz.
O conteúdo influencia sua autoridade.
A autoridade influencia sua presença digital.
E essa presença começa a influenciar também aquilo que mecanismos de inteligência artificial conseguem encontrar, interpretar e recomendar.
Por isso, preparar uma marca para a AI Search não começa tentando enganar um algoritmo.
Começa construindo algo muito mais difícil de fabricar:
relevância.
A BDDB ajuda marcas a conectar estratégia, branding, conteúdo e tecnologia para construir presença onde as decisões estão acontecendo.
Porque a próxima disputa digital pode não ser pela primeira posição. Pode ser para fazer parte da resposta.
