Mudança anunciada em novembro de 2026 mostra como as marcas estão ampliando sua presença no mercado, criando conexões e transformando experiências em novas oportunidades de negócio.
Durante muito tempo, construir uma marca forte significava conquistar reconhecimento, transmitir confiança e garantir um lugar na memória do consumidor. Esses fatores continuam importantes, mas já não contam a história inteira.
Hoje, marcas bem posicionadas conseguem ir além daquilo que vendem. Elas criam experiências, formam comunidades, estabelecem parcerias e encontram oportunidades de crescimento em mercados que, à primeira vista, parecem distantes de sua atuação original.
Um movimento recente ajuda a entender essa transformação. Em 3 de novembro de 2026, o Global Licensing Group, organização internacional ligada ao mercado de licenciamento de marcas, anunciou uma nova identidade e passou a se chamar Brand Licensing by Informa.
Mais do que uma mudança de nome, o reposicionamento acompanha uma evolução na maneira como empresas enxergam o potencial comercial de suas marcas.
De Global Licensing Group a Brand Licensing by Informa: o que mudou?
Com mais de quatro décadas de atuação, o Global Licensing Group construiu sua presença conectando marcas e empresas por meio de eventos e oportunidades comerciais no setor de licenciamento.
Agora, a organização inicia uma nova fase sob o nome Brand Licensing by Informa, acompanhado de uma identidade visual renovada e do conceito Unexpect the Expected, uma proposta que convida o mercado a enxergar possibilidades além do convencional.
A mudança também unifica a comunicação dos principais eventos internacionais do grupo, realizados em mercados como Estados Unidos, Europa e China.
Segundo o anúncio oficial, a intenção é representar melhor um setor que deixou de se concentrar apenas no licenciamento tradicional de produtos e passou a incorporar colaborações, experiências presenciais e digitais, entretenimento e novas formas de relacionamento com consumidores.
O novo posicionamento ainda aproxima a organização da rede global da Informa, presente em segmentos como moda, tecnologia, varejo, alimentos e indústria.
O ponto mais interessante dessa transformação é que ela não representa uma ruptura com a história da empresa. Pelo contrário: busca preservar o reconhecimento construído ao longo dos anos, enquanto prepara a marca para novas oportunidades.
Esse é, inclusive, um dos maiores desafios de qualquer processo de rebranding: evoluir sem perder aquilo que tornou a marca relevante.
Quando a marca se torna maior do que o produto
Para entender a importância desse movimento, basta observar como algumas das marcas mais conhecidas do mundo se comportam.
A Nike, por exemplo, há muito tempo não se comunica apenas como uma fabricante de artigos esportivos. Sua presença está ligada à cultura, ao comportamento, à superação e à identidade de diferentes comunidades.
A LEGO também ultrapassou os limites dos brinquedos de montar, expandindo seu universo por meio de filmes, jogos, experiências e colaborações com outras empresas.
São exemplos de marcas que desenvolveram um significado capaz de acompanhar diferentes produtos e experiências sem perder sua essência.
Na prática, isso acontece porque o consumidor não se conecta apenas com características técnicas ou benefícios funcionais. Ele também considera o que determinada marca representa, os valores que transmite e a relação que constrói com seu público.
É nesse cenário que o branding assume um papel cada vez mais estratégico.
Uma marca com posicionamento claro tem mais condições de criar novas linhas de produtos, estabelecer parcerias coerentes e explorar outros mercados. Não porque qualquer expansão seja automaticamente bem-sucedida, mas porque existe uma identidade capaz de dar sentido a esses movimentos.
O mercado de licenciamento mostra o valor econômico das marcas
Os números ajudam a dimensionar esse cenário.
De acordo com o relatório Top Global Licensors, divulgado pela License Global e citado no anúncio da Informa, as vendas no varejo de produtos licenciados movimentaram mais de US$ 338 bilhões em 2025, um crescimento de aproximadamente US$ 30 bilhões em relação ao ano anterior.
O dado evidencia a dimensão econômica de um mercado construído, em grande parte, sobre reconhecimento, propriedade intelectual e conexão entre marcas e consumidores.
Outro indicador apresentado pela organização chama atenção: a participação de varejistas em seus eventos mais que dobrou nos últimos cinco anos.
Isso sugere um interesse crescente em formas de aproximação com os consumidores que ultrapassam os modelos tradicionais de comercialização.
Colaborações entre marcas, edições especiais, experiências imersivas e parcerias com diferentes setores passaram a fazer parte das estratégias de empresas que buscam relevância e diferenciação.
Mas existe um detalhe fundamental: para que essas iniciativas façam sentido, é preciso que a marca tenha uma identidade bem definida.
Caso contrário, a expansão pode gerar o efeito inverso, confundindo o consumidor e enfraquecendo a percepção de valor construída ao longo do tempo.
Rebranding não é apenas mudar a identidade visual
A transformação do Global Licensing Group também levanta uma discussão importante: quando uma empresa deve repensar sua marca?
Existe uma percepção comum de que o rebranding acontece quando um logotipo envelhece ou quando a comunicação visual deixa de acompanhar as tendências do mercado.
Embora a identidade visual faça parte desse processo, ela é apenas uma das manifestações de uma mudança que pode ser muito mais profunda.
Em muitos casos, o rebranding surge porque o próprio negócio evoluiu.
Uma empresa amplia sua operação, passa a atender novos públicos, incorpora serviços, entra em outros mercados ou simplesmente percebe que sua comunicação já não representa a dimensão que alcançou.
Nesse momento, manter o posicionamento antigo pode criar uma distância entre aquilo que a empresa realmente é e a maneira como o mercado a enxerga.
O caso da Brand Licensing by Informa ilustra justamente essa situação. A organização não deixou de atuar no mercado de licenciamento. O que mudou foi a necessidade de apresentar sua atuação de maneira mais clara, abrangente e alinhada ao futuro do setor.
Um rebranding bem conduzido parte desse entendimento. Antes de redesenhar uma marca, é necessário compreender o negócio, reconhecer seus diferenciais, avaliar a percepção do público e definir o espaço que a empresa deseja ocupar.
A identidade visual vem depois, como expressão de uma estratégia.
O que as empresas brasileiras podem aprender com esse movimento?
Embora o anúncio envolva uma organização internacional, a reflexão é bastante próxima da realidade de empresas brasileiras.
É comum encontrar negócios que cresceram rapidamente, expandiram suas operações e conquistaram novos mercados, mas continuam utilizando uma comunicação desenvolvida para uma fase anterior.
Em outros casos, a empresa oferece produtos ou serviços de qualidade, mas enfrenta dificuldades para demonstrar seus diferenciais. Aos olhos do consumidor, acaba parecendo semelhante aos concorrentes e passa a disputar espaço principalmente pelo preço.
Esses desafios mostram por que investir em branding não deve ser uma decisão restrita a grandes companhias.
Uma indústria que deseja conquistar novos mercados, uma rede de franquias em expansão ou uma empresa familiar em processo de profissionalização também precisam construir marcas capazes de acompanhar seus objetivos.
Isso envolve muito mais do que aparência.
É preciso ter clareza sobre o posicionamento, consistência na comunicação e uma experiência que faça sentido em todos os pontos de contato com o público.
Do primeiro contato nas redes sociais até o atendimento comercial e a entrega do produto, cada interação contribui para formar a percepção que as pessoas têm de uma empresa.
Quando essas experiências transmitem a mesma essência, a marca se fortalece. Quando cada ponto de contato conta uma história diferente, o consumidor encontra dificuldade para reconhecer o verdadeiro valor do negócio.
Leia também: Logotipo, logomarca, símbolo e marca: qual a diferença?
O futuro do branding está na capacidade de criar conexões
O reposicionamento da Informa reforça uma mudança que já pode ser observada em diferentes setores: marcas não são mais apenas uma forma de identificar produtos e serviços.
Elas também podem funcionar como plataformas de relacionamento, experiências e oportunidades comerciais.
Isso não significa que toda empresa precise expandir para novos segmentos ou desenvolver grandes colaborações. O aprendizado mais importante está em compreender que uma marca tem potencial para gerar valor muito além de sua aplicação visual.
O que sustenta esse potencial é a capacidade de construir uma identidade relevante, reconhecível e coerente com a realidade do negócio.
O consumidor pode descobrir uma empresa por meio de uma campanha, conhecer seus produtos nas redes sociais e concluir uma compra em uma loja física. Em cada uma dessas etapas, espera encontrar uma experiência compatível com aquilo que a marca promete.
Por isso, estratégia, comunicação e experiência não podem caminhar separadamente.
O branding do futuro não depende apenas de fazer uma marca aparecer mais. Depende de construir motivos consistentes para que ela seja lembrada, valorizada e escolhida.
Marcas fortes são construídas com estratégia
A transformação do Global Licensing Group em Brand Licensing by Informa mostra que até organizações consolidadas precisam revisar a maneira como se apresentam ao mercado.
E isso não significa abandonar sua história. Significa reconhecer que uma marca precisa acompanhar a evolução do negócio e as mudanças nas expectativas de seus públicos.
Na BDDB, acreditamos que o branding começa antes de qualquer escolha visual. Começa com a compreensão do negócio, de seus desafios e, principalmente, daquilo que faz uma empresa ser escolhida em vez de seus concorrentes.
Com atuação em branding estratégico, identidade visual, rebranding e comunicação, trabalhamos para transformar o potencial das empresas em marcas com posicionamento claro, personalidade e capacidade de gerar conexões reais.
Porque crescer é importante. Mas construir uma marca que acompanhe esse crescimento faz toda a diferença.
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