A nova campanha da BYD mostra que uma marca não precisa fugir das críticas para construir uma boa narrativa. Em vez de ignorar a resistência aos carros híbridos e eletrificados, a empresa decidiu colocá-la no centro da comunicação. O resultado é uma campanha que transforma dúvidas, preconceitos e comentários negativos em uma oportunidade para apresentar o novo BYD Song Pro Flex.
A iniciativa coloca o modelo frente a frente com 30 “tateras” de veículos eletrificados, em uma adaptação do formato “30 contra 1”, popular nas redes sociais. A proposta é simples: reunir opiniões contrárias e colocar o produto no centro do debate para responder aos principais questionamentos sobre a tecnologia.
Mais do que apresentar um novo carro, a campanha aposta em uma questão que interessa diretamente à comunicação: e se aquilo que normalmente seria tratado como uma barreira pudesse se transformar no principal argumento da campanha?
A campanha da BYD coloca os tateras no centro da conversa
A resistência aos carros híbridos e eletrificados ainda faz parte da jornada de decisão de muitos consumidores brasileiros. Dúvidas sobre tecnologia, autonomia, manutenção e funcionamento desses veículos ajudam a alimentar uma série de discussões nas redes sociais.
A BYD decidiu não tentar contornar esse cenário.
Na campanha “30 Haters contra o BYD Song Pro”, comentários reais do público são utilizados como ponto de partida para a conversa. Os participantes são convidados a conhecer melhor o Song Pro Flex e confrontar suas próprias percepções sobre os veículos eletrificados.
A escolha do formato também contribui para isso. O “30 contra 1” já carrega uma dinâmica de confronto conhecida pelo público: uma pessoa precisa defender uma posição diante de um grupo que pensa de maneira oposta.
Nesse caso, o papel central fica com o próprio produto.
O Song Pro Flex vira resposta para a desinformação
A campanha apresenta o BYD Song Pro Flex como o “SUV mais amado pelos tateras da BYD”. A provocação ajuda a construir uma narrativa em que os críticos deixam de ser apenas oposição e passam a fazer parte da experiência de comunicação.
O modelo é apresentado pela BYD como um super-híbrido movido a etanol, gasolina e energia elétrica. Assim, as dúvidas utilizadas na campanha funcionam também como portas de entrada para apresentar as características e tecnologias do veículo.
Essa construção é relevante porque evita um problema comum em campanhas de lançamento: falar sobre atributos que o público ainda não sabe por que deveria considerar importantes.
Em vez disso, a BYD começa pelas dúvidas que já existem.
A pergunta do consumidor vira o roteiro da marca.
E isso torna a comunicação mais próxima da conversa que já acontece fora da publicidade.
Quando o problema de comunicação vira ideia criativa
Existe uma tendência natural de marcas tentarem controlar a percepção sobre seus produtos. Críticas são tratadas como algo que precisa ser respondido, neutralizado ou simplesmente ignorado.
A campanha da BYD segue uma direção diferente.
Ao assumir os comentários negativos como matéria-prima, a marca transforma uma possível fragilidade em elemento narrativo. O que poderia ser ruído passa a organizar a campanha.
Essa escolha também dá mais autenticidade à comunicação. Afinal, as dúvidas não foram inventadas para criar um conflito publicitário. Elas fazem parte da conversa que já existe sobre carros híbridos e eletrificados.
É justamente aí que está o principal insight da campanha: uma marca não precisa vencer uma conversa para se beneficiar dela. Às vezes, basta ter a inteligência de entrar na conversa certa.
A força de usar um formato que o público já conhece
Outro ponto interessante está na escolha do “30 contra 1”.
Em vez de apresentar um formato totalmente novo, a campanha utiliza uma linguagem que já ganhou popularidade na internet. O público reconhece rapidamente a dinâmica de confronto e entende o que está em jogo.
Isso reduz a distância entre publicidade e entretenimento.
A campanha deixa de parecer apenas uma demonstração de produto e ganha características de conteúdo: existe conflito, curiosidade, opiniões diferentes e uma pergunta implícita sobre quem vai conseguir sustentar seu ponto de vista.
Essa familiaridade é estratégica. Quando uma marca utiliza um formato que o público já conhece, parte do esforço necessário para explicar a ideia desaparece. A atenção pode ser direcionada para aquilo que realmente importa: a mensagem.
O que outras marcas podem aprender com a campanha da BYD
O principal aprendizado não está no número de participantes ou no formato utilizado. Está na forma como a BYD enxergou uma tensão existente no mercado e decidiu transformá-la em narrativa.
Muitas marcas procuram oportunidades em tendências, datas comemorativas ou novos formatos de mídia. Mas também existe criatividade em observar aquilo que já está sendo discutido sobre uma categoria.
No caso do BYD Song Pro Flex, os próprios questionamentos sobre carros híbridos e eletrificados ajudaram a construir o ponto de partida da campanha.
Isso mostra que escutar o público também pode ser uma ferramenta de criação.
Comentários, críticas e dúvidas não precisam ser vistos apenas como problemas de reputação. Quando analisados estrategicamente, podem revelar quais são as principais barreiras de uma categoria e, consequentemente, onde existe espaço para uma marca se posicionar.
A tecnologia pode ajudar a explicar um produto. A mídia pode ampliar uma mensagem. Mas é o insight que define por que aquela mensagem merece ser ouvida.
No caso da BYD, os tateras deixaram de ser apenas parte do problema. Viraram parte da campanha.
Na BDDB, acreditamos que boas ideias não precisam esconder as tensões de uma marca. Elas podem fazer exatamente o contrário: encontrar nelas o ponto de partida para construir uma comunicação mais relevante, provocativa e conectada ao comportamento do público.
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